A NR-1 passou a exigir que o gerenciamento de riscos da empresa considere também os fatores psicossociais relacionados ao trabalho. Na prática, isso significa que o RH e o SESMT precisam identificar esses riscos, avaliar a exposição dos trabalhadores, registrar tudo no PGR e agir sobre o que foi encontrado.
O problema é que a maioria das empresas ainda trata o tema como pesquisa de clima ou como ação pontual de RH. Não é. O que a norma pede é um processo dentro do PGR, com método, registro e plano de ação. Neste guia, você vai entender o que isso significa no dia a dia e como conduzir o levantamento sem transformar o assunto em um projeto caro.
O que a NR-1 exige da empresa
O gerenciamento de riscos ocupacionais precisa considerar todos os perigos que podem gerar lesão ou adoecimento e a norma deixou explícito que os fatores psicossociais entram nessa conta. Isso muda três pontos na rotina do RH:
- O inventário de riscos passa a listar riscos psicossociais, com a mesma estrutura usada para ruído, calor ou agentes químicos: perigo, fonte, exposição, probabilidade e severidade.
- A avaliação precisa de método declarado. Não basta escrever “risco alto”. É preciso dizer como o dado foi levantado e por quem.
- Nada termina no diagnóstico. Todo risco identificado exige plano de ação com responsável e prazo, e o acompanhamento fica registrado.
Quais fatores entram na avaliação
Os fatores psicossociais são situações da organização do trabalho que podem adoecer quem executa a tarefa. Os mais cobrados em avaliação são:
- carga de trabalho e ritmo, incluindo metas inatingíveis e horas extras frequentes;
- jornada e escalas que impedem pausas e descanso;
- falta de autonomia e de clareza sobre o que se espera da função;
- relações com liderança, conflitos e reconhecimento insuficiente;
- assédio moral ou sexual e situações de violência, inclusive de terceiros;
- exposição a sofrimento humano (saúde, segurança pública, atendimento ao público);
- insegurança sobre o futuro do emprego e mudanças organizacionais sem comunicação.
Como fazer o levantamento na prática
O levantamento não precisa de software caro. Ele precisa de método e de registro. Esta é a sequência que funciona em empresas de médio porte:
1. Defina o escopo por setor e função
Riscos psicossociais variam entre áreas. Operação, atendimento, comercial e administrativo têm exposições diferentes e devem ser avaliados separadamente.
2. Colete a percepção dos trabalhadores
Use instrumento anônimo, com perguntas sobre carga, pausas, autonomia, liderança, reconhecimento e segurança para relatar problemas. Complemente com grupos focais curtos, de 40 a 60 minutos por área, conduzidos por quem tenha preparo para lidar com relatos sensíveis.
3. Cruze com os dados que a empresa já tem
Absenteísmo por CID F (transtornos mentais), rotatividade, afastamentos por afastamento previdenciário, pedidos de desligamento, uso do canal de denúncias e horas extras por setor. Esses indicadores dão consistência ao diagnóstico e aparecem em fiscalização.
4. Classifique probabilidade e severidade
Aplique a mesma metodologia do inventário de riscos da sua empresa. O importante é que o critério esteja escrito e que a classificação seja reproduzível.
5. Registre e proponha ações
Para cada risco, defina ação, responsável, prazo e como o resultado será medido. Ações típicas: revisão de metas, ampliação de pausas, treinamento de liderança, canal de denúncias com fluxo claro, apoio psicológico e programa de prevenção ao adoecimento mental.
Quem pode conduzir a avaliação
A avaliação é responsabilidade do empregador e pode ser conduzida pelo SESMT, por profissional de segurança do trabalho com apoio de psicólogo, ou por equipe externa de SST. A participação da CIPA é recomendada por ser o canal legítimo de escuta dos trabalhadores, e a consulta aos próprios trabalhadores sobre os riscos das funções é obrigação da norma.
Erros que custam caro
- copiar um questionário genérico da internet sem adaptar ao processo real da empresa;
- tratar o levantamento como pesquisa de clima e não registrar metodologia;
- identificar risco alto e manter o plano de ação sem prazo e sem responsável;
- não envolver a CIPA, o que enfraquece todo o processo;
- guardar os dados sem definir acesso, já que a maioria dos relatos é sensível.
Como a Simplifica Ocupacional pode ajudar
A Simplifica Ocupacional apoia empresas de São Paulo na estruturação do PGR com riscos psicossociais, na organização documental exigida pela NR-1 e no alinhamento com os exames e indicadores de saúde da empresa. A clínica fica em Santana, na Zona Norte de São Paulo, e atende presencialmente e por gestão de SST a distância.
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Perguntas Frequentes
Riscos psicossociais entram no PGR ou em documento separado?
Entram no próprio PGR, no inventário de riscos, como qualquer outro perigo ocupacional. Um relatório complementar pode existir, mas o risco precisa estar registrado no gerenciamento de riscos da empresa.
A NR-1 exige avaliação de riscos psicossociais?
Sim. A norma determina que o gerenciamento de riscos considere os fatores psicossociais relacionados ao trabalho na identificação de perigos e na avaliação de riscos.
Preciso de psicólogo para fazer o inventário?
Não para todas as etapas. A condução do processo é de responsabilidade da empresa e pode envolver SESMT e RH, com metodologia adequada e apoio profissional quando há relatos sensíveis ou necessidade de interpretar dados de saúde.
Com que frequência a avaliação deve ser refeita?
Junto com a revisão do PGR, no prazo definido pela NR-1 (que prevê prazo ampliado para empresas de menor porte) e sempre que houver mudanças relevantes nos processos, metas ou estrutura.
O trabalhador é obrigado a responder?
A consulta sobre os riscos das funções é prevista pela norma, mas a participação no instrumento deve ser voluntária e anônima para que os dados tenham valor real.
Conteúdo produzido pela equipe técnica da Simplifica Ocupacional. Veja também todas as normas regulamentadoras explicadas.

